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16-07-17 12:00

Questão do lixo não mobiliza usuários de redes sociais no Brasil

Apenas 58% do que é coletado, no entanto, têm o destino certo, e só 3,1% são alvo de coleta seletiva para reciclagem.
Levantamento mostra que assunto é pouco abordado, e só é debatido quando afeta a vida dos internautas   

RIO — O Brasil produz lixo como país rico, mas trata ele como uma nação pobre. São 387 quilos por ano por pessoa, num total de mais de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos descartados anualmente. Apenas 58% do que é coletado, no entanto, têm o destino certo, e só 3,1% são alvo de coleta seletiva para reciclagem. E uma vez longe da vista, a maioria das pessoas pouco se importa onde seu lixo vai parar. A não ser, claro, quando a destinação inadequada provoca problemas que afetam diretamente sua vida, promovendo alagamentos ou poluindo a praia que frequentam. É o que mostra o recém-lançado “Dossiê lixo”, um estudo feito pelo projeto Comunica Que Muda, da agência de comunicação nova/sb, sobre a relação dos brasileiros com o lixo nas redes sociais.

No levantamento, a agência monitorou as redes sociais Twitter, Facebook e Instagram, além de páginas de blogs e comentários de sites na internet, entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017. No período, foram compilados quase 130 mil publicações tendo como tema o lixo, sua gestão e consequências, como iniciativas de reciclagem e os problemas que sua má destinação acarretam.

ASSUNTO PERIFÉRICO

De acordo com análise dos profissionais do projeto, mais de metade das postagens (53,3%) foi classificada como “neutra”, isto é, sem que a pessoa expressasse qualquer opinião sobre o assunto, compostas principalmente de “retuítes”, compartilhamento de notícias e até piadas. Já 46,2% foram categorizadas como “menções positivas”, em que havia algum grau de posicionamento e conscientização sobre o tema, ainda que de maneira não aprofundada, como, por exemplo, expressões de revolta com pessoas que descartam lixo na rua, reconhecimento ou relatos dos problemas gerados pelo lixo. “Menções negativas”, em que publicação não considera o lixo um problema ou motivo de preocupação, somaram 0,5%.

— Verificamos que o lixo é um assunto periférico nas redes sociais, sobre o qual pouco se fala e, quando é abordado, não é levado muito a sério ou a fundo, não provoca uma discussão — diz Bia Pereira, coordenador do Comunica Que Muda.

Segundo Bia, o levantamento indica que os brasileiros só atentam para a questão do lixo quando atrapalha suas vidas. Diante disso, ela conta que, por ter sido feita na época de chuvas e férias, a pesquisa detectou a revolta dos usuários com consequências esperadas do descarte e destinação inadequados, como alagamentos e a sujeira que atinge as praias. Como resultado, ao focar no lixo urbano, o estudo observou as chamadas “menções positivas” — em sua grande maioria críticas a comportamentos como jogar lixo na rua — ultrapassarem as “neutras”, com 51,8% das publicações contra 47,8%. E, novamente, só uma parcela muito pequena das pessoas, 0,4%, afirmou que o lixo não é um problema.

— É muito difícil que alguém declare que o lixo não é um problema. Entretanto, a conscientização sobre essa questão ainda está longe do ideal, principalmente no sentido de um debate mais profundo. As pessoas falam mais do problema quando são atingidas diretamente — reforça Bob Vieira da Costa, sócio-fundador e presidente da nova/sb.

Desta forma, questões mais sérias recebem pouca atenção dos internautas nas redes sociais. Os lixões — regulares ou não —, por exemplo, só foram abordados em 2,5% das postagens compiladas pelo levantamento.

— As pessoas acham que quando o lixo sai de casa, acabou o problema para elas — conta Bia. — Quanto mais distante fica o lixo, menos preocupação provoca, passando a ser visto como um problema dos outros, do governo, e nunca da própria pessoa.

Por isso, quando o levantamento fez foco em soluções para o problema do lixo, como reciclagem ou redução do consumo, a ausência de opiniões e posicionamentos denotada pelas publicações “neutras” mais uma vez se destacou, atingindo 65,1% do total, com as “menções positivas” somando 34,4% e as “negativas” ficando em 0,5%.

— Todo mundo fala bem de reciclagem, mas as pessoas não sabem direito o que fazer, não vão pesquisar como agir — aponta Bia. — Elas criticam, mas não apresentam soluções ou alternativas. No geral, as pessoas não estão nem aí para produzir menos lixo, ou selecioná-lo e descartá-lo do modo correto.

O projeto não se limitou ao levantamento. Com objetivo de estimular e qualificar o debate em torno do tema, o Comunica Que Muda criou e espalhou uma série de postagens e memes nas redes e planeja refazer o monitoramento daqui a quatro meses para ver se a iniciativa surtiu efeito.

— As pessoas até reconhecem a importância do tema, basta ver as muitas críticas sobre quem joga lixo na rua, mas nosso desafio maior é fazer elas assumirem que o problema também é delas — explica Bia. — Acreditamos que a comunicação ajuda a mudar comportamentos e é isso que procuramos com este trabalho.


Edição Site TV Assembleia PI



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