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17-09-19 09:38

Setembro Amarelo: Qual o impacto da depressão nos casos de suicídio

E qual é o tratamento mais adequado: terapia ou medicamento?

Todos os anos são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo. Mas o que leva uma pessoa a decidir morrer?

A pergunta é um tanto dura e não há uma única reposta. Frustrações, dores angustiantes e um sofrimento intenso. E também um quadro profundo e muitas vezes negligenciado de algum aspecto da saúde mental tem impactos imensuráveis.

Mas como se colocar no lugar do outro quando estamos falando de morte e vida? Os especialistas definem o suicídio como um tema bastante complexo, mas que se trata de uma questão de saúde pública. Por isso, precisa ser discutido para que a gente possa criar ferramentas para lidar com o problema — tanto quem fica, quanto quem pensa em partir.

Desde 2015, o mês de setembro é dedicado à campanha SetembroAmarelo de prevenção ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 90% dos óbitos por suicídio estão ligados a doenças como a depressão, o transtorno por uso de substâncias, a esquizofrenia e os transtornos de ansiedade.

Dentro desse grupo, cerca de 50 a 60% das pessoas que morrem por suicídio nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida.

Os números sensibilizam e chamam a atenção, mas, de acordo com a ABP, é importante colocar em pauta uma conversa responsável sobre o tema para que a gente afaste os principais obstáculos à busca por ajuda: o preconceito e o tabu.  

Veja essa entrevista com o psiquiatra Lucas Alves Pereira, membro das comissões científica e de emergências psiquiátricas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), sobre o quanto os transtornos de humor, como a depressão, são gatilhos para os comportamentos suicidas. 

Leia a entrevista completa.

Todo caso de morte por suicídio está atrelado ao diagnóstico da depressão? 

Lucas Pereira: A OMS diz que 90% das pessoas que tiram a própria vida possuem alguma doença mental. Mas o suicídio é algo muito complexo. Apesar de a doença mental estar atrelada a isso, ela não é o único fator.

E quando falamos em saúde mental não quer dizer que é só a depressão. A depressão e os transtornos de humor, como a depressão bipolar, estão presentes em 35% dos casos. Mas há também a esquizofrenia, os transtornos de personalidade, os transtornos vinculados ao abuso de álcool e drogas. 

Mas a depressão tem cura?

A depressão tem cura. Mas a depressão também pode se tornar uma doença crônica. Esse diagnóstico leva em consideração a frequência e a permanência dos sintomas. Por exemplo, um episódio depressivo tem cura e, muitas vezes, não é preciso o uso de medicação. Agora, se o sujeito tem mais de um episódio e eles se tornam recorrentes, o diagnóstico passa a considerar o uso de medicamentos para controlar o quadro.

Mas é importante lembrar que mesmo o paciente que tem depressão crônica pode passar bons períodos se sentindo bem, mesmo sem o uso de medicamento. Isso porque a depressão envolve muitas variáveis, e é por isso que cada decisão para o tratamento é avaliada pelo psiquiatra e pelo psicólogo que acompanham o paciente.

Quais são os tratamentos para a doença?

É preciso um olhar multifatorial para a doença. A psicoterapia é muito importante nesse processo porque previne as crises e ajuda a superá-las. O exercício fisico é muito importante. A atividade física tem efeito neuroprotetor e faz parte do tratamento, seja um caso mais leve ou mais grave. Já o medicamento antidepressivo também ajuda a controlar os casos recorrentes.

Mas a depressão é uma doença que tem 30% do seu caráter genético. Ou seja, os outros 70% dependem de fatores externos e como eles impactam a gente.

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 188, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis. O HuffPost está com uma newsletter de Setembro Amarelo toda sexta-feira. Assine aqui e receba os melhores conteúdos de segunda a a sexta.


Saiba mais sobre a Campanha Setembro Amarelo


Setembro é o mês em que é realizada a campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, sendo o dia 10 desse mês o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Essa campanha, conhecida como “Setembro Amarelo”, foi criada no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Essa é uma campanha de extrema importância, uma vez que o suicídio é um problema grave de saúde pública e que, muitas vezes, pode ser evitado.

Leia também: Você sabe o que é o estresse?

→ A importância de se falar a respeito do suicídio

Apesar de o assunto ser delicado, é importante conversamos sobre o suicídio e maneiras como preveni-lo. Muitas pessoas pensam que esse ato é uma realidade distante e que afeta poucas pessoas, mas, infelizmente, os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram o contrário. De acordo com a OMS, a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do nosso planeta. Isso significa que, em um ano, mais de 800 mil pessoas perdem sua vida dessa forma.

As causas do suicídio são variadas e, segundo o CVV, especialistas identificam transtornos mentais na maior partes das pessoas que se suicidam ou que tentam fazê-lo. Dentre os principais transtornos observados, destacam-se a depressão na forma simples, a depressão na forma bipolar, a dependência química e a esquizofrenia.

Entretanto, não podemos afirmar que todas as pessoas que cometem suicídio apresentam esses transtornos. Não podemos nos esquecer de que, muitas vezes, o suicídio acontece de maneira impulsiva diante de algumas situações muito impactantes e inesperadas da vida, como final de relacionamentos, perda de pessoas queridas, abusos ou mesmo crises financeiras. O suicídio também é comum em pessoas que sofrem discriminação, como refugiados, imigrantes, gays, lésbicas, transgêneros e intersexuais.

Quando entendemos que o suicídio é uma realidade e que pode afetar pessoas a nossa volta, fica mais claro que é fundamental conversamos a respeito. Os suicídios podem ser evitados desde que tenhamos conhecimento sobre seus sintomas, suas causas e formas de evitá-lo.

Você sabia que no Brasil existe uma instituição que oferece apoio emocional e atua na prevenção do suicídio? Trata-se do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma associação sem fins lucrativos. Caso precise conversar, basta ligar para 188 ou acessar o chat no site da CVV. O telefone e o chat funcionam 24 horas por dia, em todos os dias da semana.


Leia tambémDepressão - o que é, causas e como ajudar uma pessoa com a doença

→ Como podemos ajudar na prevenção do suicídio?

Para contribuirmos na prevenção do suicídio, devemos ser capazes de perceber os sinais de alerta que uma pessoa emite. Se você perceber que uma pessoa, por exemplo, está desinteressada (até mesmo das atividades de que gostava), não tem mais a mesma produtividade na escola ou no trabalho, está isolando-se de amigos e parentes, descuidando-se da aparência, não se importa mais com suas atividades diárias ou diz muitas frases relacionadas à morte, isso pode ser sinais de que aquela pessoa está precisando de ajuda.

O primeiro passo é conversar com essa pessoa, mas aqui fica uma dica importante: deixe que a pessoa fale, sem emitir julgamentos ou opiniões sobre o assunto. Deixe bem claro que sua vontade é apenas ajudar. O que devemos lembrar sempre é que não devemos medir a dor dos outros pelas nossas experiências pessoais e entender que o que não nos afeta não necessariamente não causa dor e sofrimento no outro.

Uma conversa tranquila e sem julgamentos pode ser fundamental para ajudar uma pessoa.
Uma conversa tranquila e sem julgamentos pode ser fundamental para ajudar uma pessoa.

É importante sempre incentivar a pessoa que está apresentando sinais de que pretende cometer suicídio a procurar ajuda especializada. Em casos visivelmente graves, é essencial que a família tenha conhecimento da situação, bem como amigos próximos, para que a pessoa seja acolhida e estimulada a procurar ajuda.

Caso perceba que a pessoa corre risco imediato, é fundamental não deixá-la sozinha. Nesses casos, entre em contato com serviços de emergência e com alguém de confiança.

Leia também10 principais causas de morte no mundo

→ Dados sobre o suicídio

Veja a seguir alguns dados importantes o sobre o suicídio.

Dados sobre suicídio no Brasil e no mundo

Segundo a OMS, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo.

O suicídio, de acordo com a OMS, é a segunda principal causa de morte entre as pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

79% dos casos de suicídios ocorrem em países de baixa e média renda de acordo com a OMS.

Segundo o Ministério da Saúde, as mulheres tentam mais suicídio que os homens.

Segundo o CVV, 32 brasileiros morrem por dia vítimas de suicídio.

De acordo com a OMS, 90% dos suicídios podem ser prevenidos.



Fontes: Huffpost | Brasil Escola (Por Ana Beatriz Rosa e Vanessa Sardinha)
Imagem: Getty



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