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25-08-19 10:06

Insônia não é só coisa da sua cabeça – e é associada a doenças do coração

Uma revisão de estudos indica que a influência das más noites de sono no surgimento de problemas cardiovasculares é explicada por uma alteração genética

Ficar rolando de um lado para o outro na cama. Ver os minutos passarem voando no celular. E, por fim, o golpe fatal: enxergar aquele primeiro raio de luz no céu e perceber que você passou mais uma noite sem dormir. Só quem sofre de insônia sabe o desespero que essas cenas podem causar. E mais: quem tem insônia provavelmente já ouviu de alguém que o problema “está na sua cabeça”, ou que é uma “coisa psicológica”.

Mas agora a ciência parece ter respostas mais animadoras para os insones. Um estudo gigantesco, feito com 113 mil voluntários, e conduzido pela Universidade Livre de Amsterdã, mostrou que quem não consegue dormir pode ter alguns genes “premiados”.

Sete genes, para ser mais exato. São alterações genéticas que se manifestam principalmente na hora em que o DNA é copiado para fazer RNA – esses, por sua vez, produz as proteínas que regulam todo o metabolismo do nosso corpo. Ou seja, pode haver uma alteração química real no cérebro dos que passam a noite contando carneirinhos.

Os cientistas repararam que alguns desses mesmo genes já haviam sido associados a outros distúrbios do sono, como a Síndrome das Pernas Inquietas ou o Distúrbio dos Movimentos Periódicos dos Membros Durante o Sono – dois males, embora altamente estressantes, de nomes engraçadinhos.

E mais: os holandeses concluíram também que essas mesmas alterações genéticas que dificultam o sono regulam doenças mentais comuns, como os distúrbios de ansiedade, a depressão e o neuroticismo. Ou seja, a insônia caminha de mão dadas com esses outros males da cabeça – o que não quer dizer que ela é apenas coisa da sua cabeça. Ela está lá no seu DNA também.

Doenças do coração são associadas ao gene da insônia

Não deve ser a primeira vez que você lê que deixar de dormir prejudica a saúde cardiovascular. Mas, agora, uma revisão de pesquisas publicada no periódico científico Circulation indica que uma variação genética que torna as pessoas suscetíveis à insônia também eleva o risco de problemas cardíacos.

De acordo com a epidemiologista Susanna Larsson, professora do Instituto Karolinska, na Suécia, e líder do levantamento, estudos anteriores já revelaram a relação entre sono e problemas do coração. No entanto, eles não determinavam se a insônia era a causa, a consequência — ou apenas uma coincidência.

Nesse estudo, foram utilizados dados de 1,3 milhão de indivíduos de quatro grandes pesquisas e grupos públicos. Os voluntários poderiam ou não ter enfermidades cardíacas ou sofrido um acidente vascular cerebral (AVC).

Os cientistas utilizaram um método que considera apenas o código genético. Dessa maneira, foi possível investigar a origem da pane no peito sem a interferência de outras variantes, como classe socioeconômica, enfermidades crônicas e estilo de vida.

Após a análise, os experts constataram que as alterações no DNA ligadas ao distúrbio do sono também estavam associadas a um risco significativamente maior de desenvolver doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca — e mesmo de sofrer um AVC isquêmico.

No entanto, o trabalho tem uma limitação. Os pesquisadores observaram só a presença do gene da insônia — e não se os portadores dessa alteração de fato possuíam dificuldades para dormir. Isso significa que não foi possível determinar quais participantes realmente passam noites em claro.

De qualquer forma, outras investigações já mostraram a importância do descanso diário. E não é só o coração que agradece!

“É importante identificar a raiz da insônia e tratá-la. Dormir é um comportamento que pode ser mudado por novos hábitos e manutenção do estresse”, recomenda Susanna.


Fonte: Saúde Abril - Por Maria Tereza Santos/Superinteressante
Imagem: PrinceOfLove - Shutterstock



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