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18-07-19 08:20

Alerta: Organização Mundial de Saúde declara surto de ebola como emergência internacional de saúde pública

É um evento extraordinário determinado que constitui um risco de saúde pública para outros Estados

O segundo pior surto de ebola de todos os tempos, que acontece na República Democrática do Congo (RDC), foi declarado oficialmente uma emergência de saúde pública de preocupação internacional nesta quarta-feira (17), com o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) pedindo que os países “tomem conhecimento e redobrem seus esforços”.

Com o primeiro aniversário do surto no leste do país se aproximando, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que era hora de “trabalharmos juntos em solidariedade com a RDC para acabar com este surto e construir um sistema de saúde melhor” para seu povo.

Até agora, houve mais de 2.500 casos de infecção, e quase 1.670 morreram nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, onde múltiplos grupos armados e a falta de confiança local dificultaram os esforços para controlar o surto.

“Trabalho extraordinário foi feito por quase um ano nas circunstâncias mais difíceis”, disse Tedros, após a quarta reunião do Comitê de Emergência de Regulamentos Sanitários Internacionais para avaliar o surto, na sede da ONU, em Genebra.

“Todos nós devemos a esses profissionais — vindos não apenas da OMS, mas também do governo, parceiros e comunidades — por estarem arcando com estes custos”, acrescentou.

O que significa a declaração de emergência?

De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional da OMS, que constitui um acordo legal vinculativo envolvendo 196 países em todo o mundo, uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (PHEIC) é definida como “um evento extraordinário determinado que constitui um risco de saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e por potencialmente exigir uma resposta internacional coordenada”.

Esta definição implica uma situação que é séria, repentina, incomum ou inesperada; traz implicações para a saúde pública além da fronteira nacional do Estado afetado; e pode requerer ação internacional imediata.

Segundo uma declaração da OMS, o Comitê “citou desenvolvimentos recentes no surto ao fazer sua recomendação, incluindo o primeiro caso confirmado em Goma, uma cidade de quase 2 milhões de habitantes na fronteira com Ruanda, e a porta de entrada para o restante da RDC e do mundo”.

O Comitê também emitiu conclusões e conselhos específicos para os países afetados, seus vizinhos e para todos os Estados, em termos de como o surto precisa ser tratado no futuro.

Proteja os meios de subsistência e mantenha as rotas de trocas abertas

O Comitê também disse que era decepcionante que houvesse atrasos recentes na obtenção de mais fundos internacionais para combater a doença, o que restringiu a resposta.

Os membros também reforçaram a necessidade de proteger os meios de subsistência das pessoas mais afetadas pelo surto, mantendo as rotas de transporte e as fronteiras abertas. Os especialistas disseram que era “essencial evitar as consequências econômicas punitivas das restrições de viagem e comércio às comunidades afetadas”.

“É importante que o mundo siga estas recomendações. É também crucial que os Estados não usem (a declaração) como uma desculpa para impor restrições comerciais ou de viagens, o que teria um impacto negativo na resposta e nas vidas e meios de subsistência das pessoas na região”, disse Robert Steffen, presidente do Comitê.

Na segunda-feira (15), o chefe de assistência humanitária da ONU, Mark Lowcock, disse que o surto não seria adequadamente contido sem um “grande aumento na resposta”. No mês passado, os primeiros casos apareceram na vizinha Uganda, embora a família infectada tenha atravessado a fronteira da RDC.

Desde que foi declarado há quase um ano, o surto foi classificado como uma emergência de nível 3 — a mais grave — pela OMS, provocando o mais alto nível de mobilização. A ONU em geral também reconheceu a gravidade da emergência, ativando o “Escala Humanitária em Todo o Sistema” para apoiar a resposta ao ebola.

Por que o surto mudou de patamar?

Desde o início do atual surto, a Organização Mundial de Saúde havia optado em três ocasiões diferentes não declará-lo como uma situação de emergência de saúde global – até agora.

Robert Steffen, presidente do comitê de emergência para ebola da OMS, havia dito em abril que adotar essa medida não traria mudanças significativas às ações de combate ao vírus no país.

Além disso, ele queria evitar também que o novo patamar fosse usado como justificativa para um eventual fechamento de fronteiras e rotas de transporte, causando impactos econômicos e sociais que poderiam até agravar o surto - algo que não foi adotado até agora.

Mas na semana passada o Reino Unido pediu que o órgão fizesse a declaração de emergência a fim de facilitar a arrecadação internacional de fundos para lutar contra a disseminação da doença - a OMS está desapontada com o impacto de atrasos em repasses de verbas ao combate da doença.

Além de facilitar a arrecadação de verbas, a declaração significa que a entidade fez uma série de recomendações que devem ser seguidas pelo país afetado e seus vizinhos.

Entre elas, está a recomendação de que autoridades do mundo todo trabalhem em conjunto com companhias aéreas e com agências de viagens para que todos sigam as regras da OMS para o tráfego internacional. Países vizinhos devem ter vacinas preparadas e mapear o fluxo de pessoas, entre outras medidas. A OMS reitera a importância de não fechar as fronteiras - há livre circulação de pessoas entre as cidades fronteiriças de RDA e Ruanda.

Profissional de saúde usando equipamento de proteção contra o ebola na República Democrática do CongoDireito de imagemSOPA IMAGES/GETTY IMAGES
Image captionGoma é um importante centro comercial e cultural na fronteira com Ruanda

Desconfiança nas autoridades favorece propagação

O ebola infecta seres humanos por meio do contato próximo com pessoas ou animais infectados, incluindo chimpanzés, morcegos frugívoros e antílopes da floresta.

O vírus pode então se espalhar rapidamente quando pessoas têm contato direto com lesões na pele, na boca e no nariz ou com sangue, vômito, fezes ou fluidos corporais de alguém que tem o vírus, ou indiretamente, ao ficarem em ambientes contaminados.

Vírus do ebolaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPacientes com ebola tendem a morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos

O ebola inicialmente causa sintomas como febre súbita, fraqueza intensa, dor muscular e dor de garganta. O quadro depois progride para vômitos, diarreia e sangramento interno e externo. Os pacientes tendem a morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos.

O ebola é um grande desafio para os profissionais de saúde da República Democrática do Congo que lutam para conter sua disseminação.

"As pessoas ainda têm medo de ir às clínicas de saúde se estiverem com sintomas de ebola", diz Tariq Riebl, diretor de resposta a emergências de ebola da organização não governamental International Rescue Committee.

O atual surto no leste da República Democrática do Congo começou em 2018 e é o décimo a atingir o país desde 1976, quando o vírus foi descoberto pela primeira vez.

A epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016, que afetou 28.616 pessoas e fez 11.310 vítimas fatais, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa, foi o maior surto do vírus já registrado.



Edição Site TV Assembleia

Fonte: ONU e BBC News
Imagem: Cruz Vermelha



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