Por que você ainda deve evitar pegar a variante ômicron
14/01/2022 13:20

A variante ômicron, de rápida disseminação e que causa uma doença mais branda em comparação com as versões anteriores do coronavírus, estimulou a ideia de que a Covid-19 atual representa um risco menor que antes.

Nesse caso, perguntam alguns, por que se esforçar para não se contaminar agora, já que todo mundo será exposto ao vírus mais cedo ou mais tarde?

Veja o que dizem os especialistas sobre por que não devemos ser complacentes com a ômicron:

Você ainda pode ficar muito doente - Pesquisas indicam que é mais provável que a ômicron provoque um caso assintomático de Covid-19 do que as variantes anteriores. Entre os que têm sintomas, uma porcentagem maior experimenta uma forma muito branda da doença, como dor de garganta ou secreção nasal, sem as dificuldades de respiração típicas das infecções anteriores.

Mas a velocidade extraordinária da ômicron em muitos países significa que em números absolutos mais pessoas vão sofrer a doença grave. Em particular, dados recentes da Itália e da Alemanha mostram que as pessoas não vacinadas são muito mais vulneráveis no que diz respeito a hospitalização, UTI e morte.

"Concordo que mais cedo ou mais tarde todos serão expostos, mas mais tarde é melhor", disse o virologista Michel Nussenzweig, da Universidade Rockefeller. "Por quê? Porque mais tarde teremos mais remédios, com maior disponibilidade, e melhores vacinas."

Você pode infectar outras pessoas - Você pode ficar apenas um pouco doente, mas pode passar o vírus para alguma pessoa com risco da doença crítica, mesmo que você tenha anticorpos de uma infecção anterior ou da vacinação, disse Akiko Iwasaki, que estuda imunologia viral na Universidade Yale.

Os efeitos em longo prazo da ômicron são desconhecidos - As infecções com variantes anteriores do coronavírus, incluindo infecções brandas e casos de reinfecção após a vacina ("breakthrough"), às vezes causaram a debilitante síndrome da "Covid longa". "Ainda não temos dados sobre que porcentagem das infecções por ômicron... acabam em Covid longa", disse Iwasaki.

"As pessoas que subestimam a ômicron como 'branda' estão se colocando em risco de pegar uma doença debilitante que pode durar meses ou anos."

Também não está claro se a ômicron terá algum dos efeitos "silenciosos" vistos em variantes anteriores, como anticorpos que atacam a si próprios, problemas nos espermatozoides e modificações nas células produtoras de insulina.

Os medicamentos estão em falta - Os tratamentos para a ômicron são tão limitados que os médicos precisam racioná-los. Duas das três drogas para anticorpos usadas nas últimas ondas de Covid-19 são ineficazes contra esta variante. A terceira, sotrovimab, da GlaxoSmithKline, está com estoque baixo, assim como um novo tratamento via oral chamado Paxlovid, da Pfizer, que parece eficaz contra a ômicron. Se você ficar doente, poderá não ter acesso aos tratamentos.

Os hospitais estão enchendo - Em indivíduos totalmente vacinados e com reforço, sem condições médicas subjacentes, a ômicron "não causará grande dano", disse David Ho, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Columbia. Mas quanto menos infecções melhor, especialmente agora "que os hospitais já estão sobrecarregados e o pico da onda de ômicron ainda não chegou" na maioria dos Estados Unidos, disse Ho.

Devido aos números recordes de pacientes infectados, os hospitais tiveram de adiar cirurgias eletivas e tratamentos de câncer. E durante os últimos surtos os hospitais lotados não conseguiram tratar adequadamente outras emergências, como infartos.

Mais infecções significam mais novas variantes - A ômicron é a quinta variante altamente significativa do Sars-CoV-2 original, e continuamos sem saber se a capacidade de mutação do vírus vai desacelerar.

Os altos índices de infecção também dão ao vírus mais oportunidades de mutar, e não há garantia de que uma nova versão do coronavírus será mais benigna que as antecessoras. "O Sars-CoV-2 nos surpreendeu de muitas maneiras diferentes nos últimos dois anos, e não temos como prever a trajetória evolucionária desse vírus", disse Ho.

Com informações Folha de São Paulo
Imagem: Joe Raedle/Getty Images/AFP

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