Inteligência artificial ressuscita músicos e provoca debate
08/04/2021 08:20

O dito popular afirma que a única certeza que temos na vida é a morte. Lamentamos quando ela chega para artistas talentosos que partiram jovens, restando-nos apenas imaginar o que eles teriam feito se tivessem vivido em sua plenitude. Uma nova tecnologia de inteligência artificial, no entanto, assombrou recentemente os fãs de Kurt Cobain, do Nirvana, Amy WinehouseJimi Hendrix e Jim Morrison, do The Doors, todos mortos aos 27 anos de idade. O sistema analisou dezenas de músicas desses artistas e, a partir de vários elementos delas, compôs uma canção inédita para cada um. O resultado é impressionante — e também assustador — e levanta o debate: até onde vale a pena "ressuscitar" os mortos para atender a ânsia dos fãs por material inédito? Temos esse direito? Isso faz sentido?

Em fevereiro deste ano, na Coreia do Sul, outro caso chocante: o cantor Kim Kwang-seok, morto há 25 anos e que fez muito sucesso no país asiático na década de 1990, teve sua voz recriada também por um software de inteligência artificial. A voz foi reproduzida numa canção nunca gravada por Kwang-seok. Em 2012, outro exemplo de vida pós-morte foi a utilização de um holograma do cantor Tupac Shakur, morto em 1996, que se "apresentou" no palco do festival Coachella, nos Estados Unidos.

Cobain, Amy, Hendrix e Morrison têm em comum com o cantor coreano Kwang-seok o fato de que todos tiraram a própria vida, de propósito ou de forma acidental. Essas novas composições "póstumas" (exceto a do coreano), fazem parte do projeto Lost Tapes of The 27 Club (As Fitas Perdidas do Clube dos 27), criado para alertar as pessoas sobre a importância da saúde mental e prevenir o suicídio. 

No caso de Kurt Cobain, a música "nova" se chama Drowned in the Sun. Embora "inédita", seus acordes e solos de guitarra rementem a hits de Come As You Are e das canções do álbum Bleach. A exceção da música foi a voz. Ao contrário do caso sul-coreano, a música foi gravada pelo cantor Eric Hogan, líder de uma banda cover do Nirvana. 

A justificativa de que a composição dessas canções  foi feita para dar destaque a uma campanha sobre a saúde mental é totalmente válida. A pressão pela fama e pelo sucesso levou esses artistas ao extremo e, por não suportarem tudo isso, infelizmente, sucumbiram. O resultado, no entanto, serve também como uma alerta: nada pode substituir o talento de cada um. As músicas são boas, um fã vai reconhecer ali o DNA da banda, mas, definitivamente, falta nelas algo de humano. Todas emulam uma espécie de cópia barata ou, no máximo, uma faixa lado B dos artistas homenageados. Enfim, falta a vida.


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