Pandemia - Brasil perde mais de 860 mil empregos formais em abril; construção civil em queda
27/05/2020 13:44


As demissões superaram as contratações com carteira assinada em 860.503 postos de trabalho, em abril. Foram 1.459.099 desligamentos e 598.596 contratações. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta quarta-feira (27).

Segundo o Ministério da Economia, os dados mostram que a queda no número de contratações contribuiu de forma expressiva para o saldo negativo de empregos formais.

Enquanto as demissões tiveram um incremento de 17,2%, as admissões caíram 56,5% na comparação com abril de 2019. Em valores nominais, São Paulo teve o pior desempenho, com saldo negativo (mais demissões do que contratações) de 260.902. O estado é seguido por Minas Gerais com 88.298 demissões; Rio de Janeiro, 83.626, e Rio Grande do Sul, 74.686 demissões.

De janeiro a abril de 2020 foram 4.999.981 admissões e 5.763.213 demissões no país, com resultado negativo de 763.232. As admissões caíram 9,6% e as demissões subiram 10,5% no período.

O salário médio real de admissão no Brasil passou de R$ 1.496,92 em abril de 2019 para R$ 1.814,62 no mês passado.

Desde 1º de abril, data da edição pelo governo federal da Medida Provisória 936/2020, que criou o Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, foram preservados mais de 8,1 milhões de empregos no país, informou o Ministério da Economia. O programa prevê que os trabalhadores que tiverem jornada reduzida ou contrato suspenso e ainda auxílio emergencial para trabalhadores intermitentes com contrato de trabalho formalizado receberão o Benefício Emergencial de Preservação da Renda e do Emprego (BEm).

É a primeira divulgação do Caged após o preenchimento de informações da base de dados passar para o Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Com a mudança, o cumprimento de 13 obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas fica centralizado em um só sistema.

Uma inovação do Caged é o agrupamento de setores da economia. Até dezembro passado, eram oito: comércio, serviços industriais de utilidade Pública (SIUP), extrativa mineral, administração pública, agropecuária, construção civil, indústria de transformação e serviços.

Com a reformulação do Caged, os dados estarão na mesma divisão feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São eles: comércio, serviços, indústria geral, construção civil e agricultura. No intervalo de janeiro a abril de 2020, a agricultura teve saldo positivo de 10.032 empregos, resultado de 275.464 contratações e 265.432 demissões. O resultado da construção civil ficou negativo em 21.837. Comércio teve saldo negativo de 342.748, serviços resultado negativo de 280.716 e indústria também negativo, em 127.886.

A modalidade de trabalho intermitente teve, no período de janeiro a abril, 49.228 admissões e 35.105 demissões em 2020, o que resultou em saldo positivo 14.123. Já o regime de trabalho parcial registrou 71.044 contratações e 63.334 desligamentos, com resultado de positivo de 7.710 postos de trabalho com carteira assinada.

Somente no mês de abril, o trabalho intermitente chegou ao saldo negativo de 2.375, com 7.291 admissões e 9.666 demissões. No mesmo período, houve 4.881 contratações e 14.029 desligamentos na modalidade de trabalho parcial, com saldo negativo de 9.148.

Após a primeira divulgação do Novo Caged, o ministério definiu um calendário para os próximos dados do emprego formal no país: as informações de maio serão divulgadas no dia 29 de junho; em julho serão divulgados os dados de junho e assim por diante.

Setor da construção civil tem 5º em queda, diz IBGE

 Apesar do recuo, queda da mão de obra na construção é a menor desde 2014 - Foto: Simone Mello/Agência IBGE Notícias

O número de pessoas ocupadas na indústria da construção caiu 1,7% em 2018 na comparação com o ano anterior, com perda de 31,5 mil postos de trabalho. Apesar da retração, foi a menor queda da mão de obra no setor desde 2014. O valor dos salários, retiradas e outras remunerações, em termos reais (deflacionado pelo INPC), também apresentou diminuição, de 3,2% em relação a 2017.

Os resultados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgada hoje (27) pelo IBGE.

Ao todo, 1,9 milhão de pessoas estavam empregadas na construção em dezembro de 2018. O setor contava com 124.522 empresas ativas, queda de 1,4% em relação a 2017. Já em valores nominais, a atividade totalizou R$ 278 bilhões, contando incorporações, obras e/ou serviços de construção. Desses, R$ 264 bilhões foram somente em obras e/ou serviços.

Na construção, a atividade com a maior participação foi construção de edifícios, com 45,5%. Obras de infraestrutura teve 31,15%, enquanto serviços especializados da construção representaram 23,2%. Essa última fatia vem ganhando espaço desde 2009, quando era de apenas 14%.

"É um setor que costuma crescer em períodos de recuperação econômica, atrelado à retomada do crescimento no país. Representa as pequenas instalações, reformas, preparação de terreno e acabamentos, por exemplo", explica a gerente da pesquisa, Synthia Santana.

Setor público perde espaço nos últimos anos

A pesquisa também apresenta outra mudança relevante nos últimos dez anos: o setor público perdeu representatividade. Em 2009, era responsável por 43,2% da indústria da construção, percentual que caiu para 30,7% em 2018.

Houve queda nos três segmentos da atividade: construção de edifícios caiu 6,7 pontos percentuais, indo para 21,9%. Já serviços especializados para construção foi de 20,4% para 19,3%. As obras de infraestrutura, a maior fatia, sofreram a maior queda, passando de 61,5% para 50,4%.

Para Synthia, esses números são explicados pelo impacto da paralisação de grandes obras públicas, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)."O país passou por algumas instabilidades político-institucionais, e algumas quedas estão atreladas a esses problemas", esclarece.

Sudeste perde participação e Sul cresce em 10 anos

Na análise regional entre 2009 e 2018, o Sudeste perdeu participação, mas permaneceu liderando em termos de contribuição no valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção: de 54,5% para 49,2%. Nordeste (18,7%), Sul (17,2%), Centro-Oeste (8,7%) e Norte (6,2%) completam o cenário da construção no país.

Já em quantidade de trabalhadores da construção, a região Sudeste teve redução menor na participação, caindo de 50,2% em 2009 para 48,2% em 2018, mas ainda ocupando a primeira posição. Completam a lista Nordeste (20,4%), Sul (16,9%), Centro-Oeste (8,3%) e Norte (6,2%). A única região que registrou crescimento em comparação com 2009 foi o Sul, que viu a sua participação aumentar em 3,3 pontos percentuais no período.

Com informações Notícias ao Minuto / Agência Brasil / IBGE

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