Saúde aposta na ampliação dos testes para combater o novo coronavírus; Piauí está na lista
25/03/2020 09:55

A estratégia de contenção do novo coronavírus mudou no Brasil e mostra os primeiros sinais. O Ministério da Saúde anunciou, na terça-feira (24), a ampliação massiva de testes para detectar a doença: 763 vezes superior aos planejamentos iniciais, subindo de 30 mil para 22,9 milhões de ofertas. As mudanças vêm após uma série de pedidos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que as autoridades expandam a capacidade de identificar a presença do vírus, mesmo em pacientes não hospitalizados. 

"A mensagem central é: testar, testar e testar. Você não consegue parar essa pandemia se não souber quem está infectado. Esta é uma doença séria”, afirmou, em coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Até então, a orientação brasileira era submeter aos exames apenas pacientes graves, que estão internados, e pessoas que morreram apresentando os sintomas da Covid-19. Esse grupo continua como foco de verificação, mas o ministério ampliou os testes em profissionais de saúde e de segurança.

Para possibilitar a expansão, o Ministério da Saúde contará com 14,9 milhões de testes laboratoriais, o RT-PCR. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu aval para aplicação de 11 marcas de testes rápidos, método que verifica a resposta imunológica do paciente a partir da análise dos anticorpos. Serão mais oito milhões de análises deste tipo. “Estamos organizando a estratégia, decentralizando diagnóstico e ampliando a vigilância para conhecer e caracterizar a história natural da doença”, explicou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

Além da avaliação dos profissionais da saúde e da segurança, o governo também afirmou que fará a testagem em casos leves, por amostragem. O objetivo é melhorar a avaliação do cenário da doença e traçar melhores estratégias de contenção do vírus. “Possivelmente, o Brasil venha a ser um dos países com maior número de casos porque vamos testar muita gente. A nossa letalidade ficará, assim, mais próxima do real”, prevê Wanderson. Atualmente, o ministério estima que 86% dos infectados são assintomáticos, motivo pelo qual não entram para as estatísticas. 

Um novo protocolo está sendo definido para testar os casos mais leves nos postos de saúde ou unidades volantes, medida semelhante à adotada na Coreia do Sul.  “A ideia é utilizar a estratégia para cidades com mais de 500 mil habitantes e pode ser uma ferramenta, por exemplo, para conter surtos, isolando os pacientes infectados pela Covid-19”, informou o governo federal. Nos próximos três meses, a Saúde pretende, ainda, ampliar a Rede Sentinela de Vigilância de Síndrome Gripal, responsável por monitorar a doença no país. A meta é passar de 168 para 500 unidades, garantindo oferta em todos os estados. 

Ação conjunta
 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibilizará a capacidade instalada, infraestrutura e equipes técnicas da rede de laboratórios vinculados para ajudar na análise de testes. Serão disponibilizados 84 laboratórios das redes da Embrapa, dos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDAs) e da Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac), com 89 equipamentos do tipo RT-PCR em operação e capacidade de análise de mais de 76 mil amostras por dia. Essa é a técnica de referência para detecção da Covid-19. 

Enquanto isso, laboratórios em todo o Brasil trabalham para fabricar ou importar tecnologias para trazer novas formas de diagnóstico. A Dasa, empresa brasileira líder em medicina diagnóstica e grupo do Laboratório Exame, triplicou a produção de testes para o novo coronavírus. “São oportunidades que contribuem para a redução dos impactos da doença, mas que precisam passar pela fase de validação. Tudo deve ser incorporado com segurança e no melhor momento. Os testes rápidos servem como complementação, já que os resultados não têm a mesma precisão que os laboratoriais”, explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.

SOBRES OS TESTES

Para identificar o coronavírus são utilizados dois métodos diferentes de testes e ambos são rápidos. Contudo, um deles (RT-PCR em tempo real) necessita que o exame seja realizado em laboratório com uso de equipamentos. O segundo, é um teste rápido sorológico para detecção de anticorpos (IgM/IgG) e pode ser feito até mesmo nos postos de saúde ou unidades volantes. 

1 - RT-PCR (biologia molecular) – o teste identifica o vírus no período em que está agindo no organismo. Desse tipo, foram comprados ou doados 14,9 milhões de testes, sendo 3 milhões adquiridos por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); 1,3 milhão comprado de empresas privadas; 600 mil de doação da Petrobrás; e 10 milhões, que ainda estão em negociação e deverão ser adquiridos no mercado nacional e internacional.

O uso desses testes é feito para diagnosticar casos graves internados. Além disso é utilizado na Rede Sentinela, ou seja, para acompanhar a evolução da doença no Brasil, como os sintomas dos casos mais graves associados ao vírus. Assim, para a vigilância, os testes são feitos em casos graves e amostragem de casos leves, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). 

2 - Testes rápidos (sorologia) – o teste verifica a resposta do sistema imunológico ao vírus. Desse tipo, foram doados pela Vale do Rio Doce (5 milhões) e outros 3 milhões de testes foram comprados por meio da Fiocruz. Eles serão utilizados entre os profissionais de saúde e segurança para garantir a segurança e proteção deles. 

TIPO

OBJETIVO

FORNECEDOR E PREVISÃO DE ENTREGA

TOTAL

RT-PCR em tempo real (biologia molecular)

Diagnosticar casos graves internados e casos leves em unidades sentinela para monitoramento da epidemia

Fiocruz: entrega nos próximos três meses

1 milhão de testes (32.576 já entregues)

Fiocruz: entrega até 30/03

2 milhões

Petrobrás (doação): entrega até 30/03

600 mil

Empresas privadas: entrega no início de abril (440 mil) e o restante escalonado

1,3 milhão

Compra pública*

10 milhões

SUB-TOTAL RT-PCR

14,9 milhões

Teste rápido (sorologia)

Garantir a segurança e proteção dos profissionais de serviços de saúde e segurança

Fiocruz: entrega até 30/03

3 milhões

Vale do Rio Doce (doação): sem data definida

5 milhões

TOTAL:

22,9 milhões

*Compra de testes por meio de recursos públicos no mercado nacional e internacional, com a realização dos testes em grande escala, por meio de parceria público-privada (em negociação)

 


 

Distribuição de testes RT-PCR em tempo real por Estado

UF

TOTAL

RJ

1.152

SP

3.584

PA

1.080

RS

2.160

SC

1.680

GO

1.440

PR

2.448

AM

1.392

BA

1.536

CE

1.200

ES

1.320

MS

1.200

PA

480

PE

1.416

MG

2.376

RR

480

DF

2.328

RJ

1.944

SE

528

AL

408

RN

312

PI

312

MT

288

RO

264

TO

264

MA

72

AP

552

PB

288

AC

72

TOTAL

32.576



Fonte: Correio Brasiliense (Bruna Lima) e Ministério da Saúde (Assessoria)
Imagem: Liana Coll (Unicamp)
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