Por que a depressão é mais comum em mulheres? Novo estudo tenta responder
11/06/2019 16:27

O sexo feminino possui um risco quase duas vezes maior de desenvolver a depressãoPois um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, investigou a fundo o cérebro de homens e mulheres para tentar desvendar possíveis mecanismos biológicos por trás disso.

Os pesquisadores recrutaram 115 indivíduos saudáveis (69 mulheres e 46 homens). Eles foram separados em dois grupos: um deveria ingerir pequenas doses de endotoxinas (substâncias que promovem uma inflamação cerebral controlada), e o outro, tomava um placebo.

Duas horas depois, todos os participantes executaram uma tarefa que visava testar o sistema de recompensa do cérebro — um conjunto de estruturas que promove a sensação de prazer e que, na depressão, é inibido. Enquanto isso, a massa cinzenta dos voluntários era monitorada por um aparelho ressonância magnética funcional.

Com base nas informações dos exames, os cientistas constataram que, nas mulheres que haviam recebido aquela substância inflamatória, a atividade do tal sistema de recompensa diminuiu, o que não aconteceu com os homens que tomaram as endotoxinas e com todo o grupo placebo.

“Isso sugere que mulheres com distúrbios crônicos inflamatórios podem ser particularmente vulneráveis a desenvolver depressão através da diminuição da sensibilidade a recompensas”, arremata, em comunicado à imprensa, a psicóloga Mona Moieni, da Universidade da Califórnia, que liderou a análise.

Limitações da investigação

Apesar dos resultados serem significativos, é importante analisá-los com cuidado. “Os autores sugerem que os achados explicariam a maior prevalência da doença em mulheres, mas isso não pode ser concluído através da pesquisa”, comenta o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Certamente fatores genéticos e hormonais também devem influir aí”, completa.

Um trabalho de 2017 que contou com a participação de Nardi, por exemplo, mostra que o DNA pode estar por trás dos processos inflamatórios que desencadeariam certos transtornos mentais. Nesse levantamento, os experts avaliaram marcadores genéticos e inflamatórios em pacientes que já haviam tentado o suicídio.

“Demonstramos que a carga genética talvez dificulte o bom funcionamento cerebral em situações de estresse, favorecendo a reação inflamatória e agravando o quadro depressivo”, explica o psiquiatra.

Por que as mulheres são mais propensas à depressão

Segundo Nardi, em geral, esse transtorno surge da interação de fatores genéticos com o estresse. “Depois da primeira crise, parece que a doença segue um curso próprio. Os fatores ambientais e emocionais vão perdendo a capacidade de influir”, complementa o professor.

Acontece que a genética e a flutuação hormonal seriam mais preponderantes no desenvolvimento da doença entre o sexo feminino. “Antes da menopausa, a incidência de depressão é pelo menos duas vezes maior nas mulheres. Após a menopausa, é a mesma para os dois sexos”, exemplifica Nardi. Isso indica que os hormônios femininos, que caem em concentração depois dessa fase, têm um papel na depressão.

Discussões à parte, fica cada vez mais claro que a depressão não surge apenas por causa de aspectos sociais e psicológicos.

Veja o que diz o psiquiatra Pérsio Ribeiro Gomes

Sabemos que existem diferenças entre os homens e as mulheres, inclusive nas maneiras diferentes de enxergar aos outros e a própria vida. Vulgarmente se fala que as mulheres são mais emotivas e os homens mais racionais. Vamos conversar então sobre estas diferenças de personalidade masculina e feminina que tanto pode aproximar ou afastar os casais. Por onde vamos começar?

O começo pode ser por uma revisão a partir da antropologia e da história. No início dos tempos, as funções entre homem e mulher no grupo social primitivo eram bastante distintas - e ainda temos vestígios destas funções quando analisamos tribos indígenas de hábitos primitivos. Cabia ao homem a proteção e provisão para a família: afêmea e prole. Desta forma ele ia caça , às vezes cobria longas distâncias, e voltava com a caça; A partir daí vai se aperfeiçoando no homem a agressividade (para a caça) e o sentido de direção. A agressividade também para defender sua família de outros rivais. Até hoje o senso de direção nos homens é bem desenvolvido.

Já as mulheres ficavam ao mesmo tempo cuidando dos filhos, preparando o alimento, alimentando-os, ensinando, arrumando a moradia: isto provavelmente contribuiu para que as mulheres desenvolvessem uma atenção múltipla, ao contrário dos homens que desenvolveram uma atenção focada. Ainda hoje, a mulher consegue dirigir o automóvel, falar ao telefone, olhar uma propagando de bolsa ou de sapato... Já o homem dirigindo, se olhar para o lado, causa um belo acidente. Então observem que através da observação nos dada pela história e pela antropologia já verificamos que homens e mulheres processam a atenção de forma diferente.

Homens e mulheres têm personalidades diferentes?

É usual também ouvirmos que a mulher é mais afetiva e o homem mais racional. Esta observação popular tem procedência? Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology realizado na Universidade de Rochester e Universidade de Washington em St Louis (Estados Unidos) mostrou que cerca de 18% das mulheres compartilham personalidades parecidas com os homens e 18% dos homens compartilham personalidades parecidas com as mulheres. Mas a maioria das mulheres tem traços de personalidade bastante distintas dos homens. Os homens tendem a serem mais dominantes (fortes e agressivos) emocionalmente estáveis, enquanto as mulheres tendem a ser mais sensíveis, menos egoístas (atenção para os outros) e mais apreensivas, descobriu o estudo.

Outros estudos, e alguns deles no momento atual afirmam que não existem diferenças significativas entre as personalidades de homens e mulheres. Concordo que o que predomina na orientação de personalidade masculina é a racionalidade: o homem basicamente depende de sua razão. Já a mulher, além de ter a mesma racionalidade, ainda tem uma afetividade muito mais desenvolvida, o que a torna muito mais completa e adaptável.

O homem não é emocionalmente estável, e sim afetivamente pouco sensível, o que dá a aparência de estabilidade. Basta esse homem racional passar por um momento de grande carga afetiva como situações de perda, traição, humilhação que ele se fragiliza, fica vulnerável, se perde, e toma condutas totalmente irracionais.

A mulher, de outra forma, tem muito mais condições de enfrentar as situações emocionais como as de perda, traição, humilhação e superarem devido à maior capacidade afetiva. Esta maior capacidade afetiva está diretamente ligada à função da maternidade. Só as mulheres geram, e desenvolvem uma capacidade especial de comunicação com os filhos, principalmente nos primeiros anos de vida, onde não existe ainda a comunicação verbal ou gestual. Isto faz desenvolver na mulher um sentido especial - o chamado vulgarmente "sexto sentido", mas que na realidade é um aprimoramento da sensibilidade emocional ou da sensibilidade sensitiva.

Mas então as mulheres são mais instáveis emocionalmente que os homens?

Bem, se falarmos em emoção, eu poderia concordar que os homens são mais estáveis do ponto de vista emocional, e as mulheres menos estáveis. E isto está relacionado diretamente aos hormônios masculinos e femininos. Enquanto o homem só produz um hormônio sexual, a testosterona, a mulher apresenta uma bipolaridade hormonal: aproximadamente 14 dias com predomínio de estrógeno e 14 dias com predomínio de progesterona. Nos primeiros dias de estrógeno, as mulheres serão mais alegres, dóceis, e ativas, já quando há a queda de estrógeno, se tornam mais cansadas, nervosas, preocupadas, mais tristes e muito bravas!! ? principalmente próximo à menstruação, a famosa TPM. Um homem precavido e informado sabe que estas alterações são basicamente devida à alterações dos hormônios, e sempre tem uma bolsa ou um sapato guardado para as épocas de TPM.

Isso pode significar doenças emocionais diferentes?

Certamente! Esta alteração hormonal, entre outros fatores, torna a mulher mais predisposta a depressão e transtornos depressivos: para cada homem com o problema, há duas mulheres na mesma situação. As mulheres também são mais predispostas a distúrbios de humor como as distmias - estados de alteração de humor que corresponderiam basicamente à depressão leve. Já os homens, em função do hormônio testosterona, tem uma predisposição maior à agressividade e à ansiedade.


Fonte: Maria Tereza Santos/Minha Vida
Imagem: Rudchenko/Master1305/iStock
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