Obesidade infantil traz riscos para a saúde adulta, alerta Ministério da Saúde
04/06/2019 14:09

No Mês da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, o Ministério da Saúde faz um alerta: crianças obesas têm chances de virar adultos também obesos. A consequência de obesidade na infância para a vida adulta é o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que podem matar precocemente no período de grande produtividade na fase adulta.

Para discutir o crescimento da obesidade infantil no mundo, representantes de vários países se reuniram nesta segunda-feira (3/6) na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Brasília (DF). Ao participar do II Encontro Regional sobre ações de prevenção da obesidade infantil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lembrou que a transição alimentar que aconteceu nos anos 70 e 80 contribui para a má nutrição das crianças de hoje.

“Os alimentos deixaram de ser manipulados, deixaram de ser colhidos pelos pais, pelas famílias e passaram a ser alimentos processados e ultraprocessados. E nós não tivemos os filtros necessários, e agora estamos colhendo os resultados dessas mudanças tão súbitas dos nossos hábitos alimentares tradicionais”, disse o ministro.

Estudo recente aponta que crianças acima do peso possuem 75% mais chance de serem adolescentes obesos e adolescentes obesos têm 89% de chance de serem adultos obesos. Pesquisas do Ministério da Saúde indicam que 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas e 18,9% dos adultos estão acima do peso. Por isso, além de centrar ações nos primeiros dias de vida, como o incentivo ao aleitamento materno, o ministro destacou que as políticas de estímulo ao hábito saudável devem aliar ações de alimentação e atividade física.

“Quando a gente dialoga sobre obesidade infantil, a gente dialoga sobre dois pilares: um da alimentação e outro da atividade física. Por isso, temos que combater o tempo de tela das crianças que no mundo inteiro passaram a ficar mais reclusas, muito menos expostas aquelas atividades físicas da infância e da adolescência”, afirmou o ministro.

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O ministro da Saúde também defendeu que o incentivo ao hábito saudável envolva outros setores. “Sabemos que é preciso envolver outros agentes, como a economia, a agricultura, a política de educação, a política de esportes. Há uma série de pontes que precisam ser construídas para que a gente possa gradativamente ir reposicionando não só o Brasil, mas o mundo, na adoção de hábitos de vidas saudáveis”, ressaltou Mandetta.

ESTUDO AJUDARÁ A IDENTIFICAR A OBESIDADE INFANTIL

O Ministério da Saúde começou a bater à porta de 15 mil domicílios brasileiros em 123 municípios que abrigam crianças menores de 5 anos. Esses lares foram selecionados para participarem do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), que busca mapear a situação de saúde e nutrição de crianças em todo o país, com informações detalhadas sobre hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento. Essas informações ajudarão na construção de políticas públicas e estratégicas de promoção da saúde.

Os pesquisadores que estão indo aos lares brasileiros estão identificados com camisas e crachás com o nome e a fotografia, além do logotipo do Ministério da Saúde. Assim que chegar no local, o entrevistador explicará os procedimentos e entregará um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com detalhes da pesquisa e orientações de como entrar em contato com a coordenação para tirar dúvidas, incluindo a opção gratuita de ligar para o telefone 0800 808 0990. A participação é voluntária e os dados são sigilosos.

Como oferecer uma alimentação adequada e saudável na infância

A obesidade infantil é um problema de saúde pública que pode provocar várias consequências para o futuro, como o surgimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, entre outros. Mas como oferecer uma alimentação adequada e saudável para as crianças que hoje possuem um universo enorme de ofertas de alimentos?

É importante começar logo cedo, com a oferta do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e, após isso, a introdução da alimentação saudável com alimentos prioritariamente in natura. E a família tem um papel fundamental para ajudar os filhos a desenvolverem hábitos mais saudáveis. Isso porque, como as crianças imitam o que veem, os comportamentos alimentares estão associados aos dos familiares.

“O primeiro passo é como a família se organiza para que a casa tenha menos alimentos ultraprocessados. Além disso, é preciso envolver a criança na preparação da comida de uma forma mais lúdica, para que ela possa, desde cedo, valorizar a cultura alimentar e a alimentação feita em casa”, orienta Michele Lessa.

A má alimentação na fase infantil pode afetar não só o crescimento físico, mas também o seu desenvolvimento emocional. “Uma criança obesa além de ter dificuldade de fazer atividades físicas com os coleguinhas, corre o risco de sofrer bullying afetando também o seu estado emocional”, destaca Lessa.

As famílias também devem evitar oferecer e encorajar as crianças a reduzirem o consumo de bebidas açucaradas, estimular a prática de atividade física e diminuir o tempo gasto com o mundo virtual. Mas a coordenadora chama atenção: a prevenção da obesidade não terá resultados se o ambiente da criança não for considerado.

“A culpa não é da criança, o meio que ela vive é que favorece ou não o excesso de peso. Quando há oferta de alimentação saudável nas creches e escolas e há espaços públicos para brincar e fazer atividade física, tudo fica mais fácil para as crianças. A família também deve evitar comprar refrigerantes e sucos de caixinha, biscoitos recheados, pizza, chocolate e outros alimentos com muita gordura, sódio e açúcar”, explica a coordenadora.

Tecnologia estimula o sedentarismo

A vida sedentária, facilitada pelos avanços tecnológicos (computadores, televisão, tablets, celulares), também fazem com que as crianças não façam atividade física. “É importante evitar o excesso de tempo de tela, porque isso estressa criança e faz com que ela deixe de brincar, que já é uma atividade física. Fora isso, que as telas deixam as crianças ansiosas, e em alguns casos, elas recompensam na alimentação”, alerta Michele Lessa.

Outro ponto que a coordenadora traz é que quando existe uma exposição grande às telas, a publicidade também fica em maior evidência. “Além das ofertas serem atrativas com embalagens coloridas, o preparo é mais fácil, prático e rápido. A publicidade traz inúmeras variedades, quanto menos tempo a criança ficar no mundo das telas, menos vulnerável ela ficará”, comenta a coordenadora.

Participação também das escolas

Para auxiliar os educadores, a Coordenação de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde oferece a cartilha “As cantinas escolares saudáveis” para todas as escolas do Brasil.

Existe também o Programa Saúde na Escola, que atua com ações de prevenção da obesidade infantil nas escolas públicas com profissionais de saúde fazendo o acompanhamento do peso e estado nutricional dos escolares.

Quando necessário, o estudante é encaminhado para a unidade básica de saúde, onde recebe acompanhamento constante.


Edição Site TV Assembleia

Fonte: Ministério da Saúde
Imagem: Veja
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