IBGE - Previstas para 2020, Contas de Floresta e Energia são mais uma etapa para o PIB Verde
04/06/2019 13:44

As Contas Econômicas Ambientais das Florestas e de Energia, que farão parte do Produto Interno Verde (PIV), estão com divulgação prevista para 2020. A afirmação foi feita pelo diretor de Geociências do IBGE, João Bosco de Azevedo, durante o evento de encerramento do projeto Teeb (Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, em tradução livre), realizado na quarta-feira (29), em Brasília (DF).

O Teeb é um trabalho de cooperação entre Brasil e Alemanha para integrar o valor dos ecossistemas e da biodiversidade na tomada de decisão de políticas públicas e do setor empresarial, alertando para os custos da degradação ambiental. O projeto apoiou o IBGE e outras instituições na elaboração das Contas Econômicas Ambientais.

“A partir do momento em que se enxerga os estoques de recursos naturais do país, seja a água, a madeira, a energia, se entende de que forma eles estão sendo usados pelos vários setores econômicos”, disse a diretora do projeto Teeb, Raquel Agra, reforçando a necessidade de valorizar o potencial do capital natural para o Produto Interno Bruto (PIB) e derrubar a ideia de que a natureza é uma barreira ao desenvolvimento.

O diretor de Geociências do IBGE apresentou o projeto de Contas Ambientais no evento - Foto: Pedro Renaux/Agência IBGE Notícias

As novas Contas caracterizarão e identificarão os estoques e os usos das florestas e da energia na economia brasileira, ao mostrar, por exemplo, se a quantidade de florestas nativas cresceu ou diminuiu em determinado período de tempo.

Esse trabalho já feito para os recursos hídricos nas Contas da Água, divulgadas pela primeira vez no ano passado, numa parceria entre o IBGE e a Agência Nacional de Águas (ANA). A publicação mostrou que, para cada R$ 1 gerado em 2015, foram consumidos seis litros de água. A nova edição, com dados por grande região, também será divulgada no ano que vem.

As Contas Ambientais de Água, Florestas e Energia serão componentes do PIV, que está sob responsabilidade do IBGE desde 2017. “Agora está se discutindo o decreto que vai organizar as Contas Nacionais, com o IBGE com um papel importante nesse processo. Há uma questão de geração dessas informações, que unificadas gerarão o PIV”, explicou o diretor de Geociência do IBGE.

A necessidade de se investir nesse projeto é ainda maior em um país como o Brasil, que concentra 20% da biodiversidade e 12% da água doce disponível no planeta, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

“Dentro de uma administração moderna, a gente precisa saber medir, estabelecer metas. Palavras do tipo ‘contribuir’, ‘facilitar’, ‘apoiar’, são bonitas, mas não podem ser medidas. É preciso ter alguma coisa que gere números, para podermos saber se crescemos ou não”,  disse o secretário de Biodiversidade do MMA, Eduardo Camerini, durante o evento de encerramento do projeto Teeb.

Pesquisadores testam cálculo do PIB Verde na região do Matopiba


O IBGE começou visitou áreas de fronteira agrícola nos estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba). Os técnicos, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, verificam os impactos da agropecuária, do plantio de soja, em especial, na Bacia do Rio Grande, afluente do São Francisco.

O levantamento vai testar o marco metodológico das contas ambientais de ecossistema, indicador que deve ser usado no Produto Interno Verde (PIV) – índice internacional das Nações Unidas (ONU) para estimar o impacto no meio ambiente da atividade econômica calculada pelo PIB tradicional. Para definir a metodologia das contas de ecossistema, testes são feitos no Brasil, no México, na Índia, na África do Sul e da China. A Divisão de Estatística da ONU acompanha o trabalho, financiado pela União Europeia.

Na Bacia do Rio Grande, em uma região de 80 mil quilômetros quadrados, o levantamento do IBGE verifica o volume dos rios, regime de chuvas, dados cartográficos e imagens de satélites. A região foi escolhida por ali se observar impactos ambientais do cultivo de soja em larga escala – o grão é usado na ração de animais como frango e boi – e por abranger o bioma Cerrado, o mais desmatado para a produção agrícola, o que traz reflexos na segurança hídrica.

“Vamos usar dados de volume dos rios e das chuvas para analisar quanto de solo está sendo removido ali. Com a remoção da cobertura vegetal original e introdução da soja, que é uma monocultura, a gente tem outra dinâmica de uso do solo”, disse a assistente de projetos internacionais de Geociências do IBGE, Ivone Batista. Ela explicou que na área da bacia é possível isolar informações hídricas e testar o modelo matemático de cálculo.

Além do índice de contas ambientais de ecossistema, devem compor o PIB Verde mais cinco indicadores. São eles: as contas ambientais da água (que o Brasil calculou em 2018), de florestas, que deve ser divulgada ainda em 2019, contas de energia, com previsão de divulgação ano que vem, de biodiversidade, além de contas sobre a cobertura e usos do solo. Os cálculos são feitos em parceria com outros órgãos do Estado como a Agência Nacional de Águas (ANA), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O resultado do projeto no Brasil, para as contas de ecossistema, só deve ser disponibilizado em 2020, no banco de dados do IBGE, e da Divisão de Estatísticas da ONU.

PIB Verde

Em 2017, por lei federal, o IBGE foi designado como o órgão responsável pelas contas do PIB Verde. O indicador vai medir o patrimônio ambiental do país, incluindo florestas, água, energia, extração mineral, entre outras riquezas naturais. Hoje, o PIB elaborado pelo IBGE cacula o crescimento econômico, com base nos dados do setor produtivo.

O método de cálculo está em discussão com a sociedade civil e instituições públicas, mas deve ser compatível com o de outros países, para que possa ser comparado.


Fonte: IBGE - Por Pedro Renaux/Agência Brasil - Por Isabela Vieira
Imagem: Licia Rubinstein
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