Saiba como evitar um mau negócio na hora de financiar a casa própria
11/02/2019 10:48

A classe média brasileira passará a pagar juros de mercado ao contratar um financiamento habitacional na Caixa Econômica Federal. A medida aprovada pelo novo presidente da instituição, Pedro Guimarães, aplica taxas similares à de outras instituições financeiras sem subsídio do governo. A taxa mínima anunciada para financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) foi de 8,75% ao ano, mais Taxa Referencial (TR).

O professor de finanças Bruno Vinícius Ramos Fernandes, do Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Universidade de Brasília (UnB), explica que o SFH tem duas fontes básicas, a poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Como a Caixa é responsável pela gestão do FGTS e tem grande captação em poupança, tornou-se o maior banco financiador na área habitacional e imobiliária.

Para ele, o aumento nas taxas não vai influenciar tanto no financiamento de imóveis pelo sistema. “Cada faixa tem uma taxa de juros diferenciada e será avaliada agora, também, a questão da renda. Quem tem renda maior paga mais juro. A questão de financiamento é muito pessoal. Não existe regra se vale ou não a pena”, aponta.

Fernandes acrescenta que historicamente o Brasil tem as maiores taxas de juros do mundo e o consumidor precisa se planejar e ter certeza do financiamento que vai fazer, já que é comum não conseguir pagar as prestações. “Existe uma regra geral que se a pessoa paga um aluguel de X, as parcelas do financiamento precisam ser inferiores a esse aluguel. Nesse caso, o financiamento é muito vantajoso, já que no final do contrato ela vai ter um bem.”

A coordenadora de comunicação corporativa Juliana Barbosa, 38 anos, fez um financiamento assim que se casou, há 13 anos, para comprar um apartamento em Sobradinho. Na época, a taxa do programa Nossa Caixa era de 3,9%. “Mesmo a taxa sendo baixa, o saldo devedor só aumentava. Eu comprei o imóvel por R$ 102 mil, financiamos R$ 85 mil e terminamos pagando R$ 89 mil em dois anos.” Ela recorda que pesquisou outras propostas, mas era a melhor alternativa no momento.

Para conseguir pagar as parcelas do financiamento, Juliana conta que começou a poupar. Mas só conseguiu quitar a dívida quando o marido trocou de emprego. “Ele conseguiu pegar o Fundo de Garantia, mais a rescisão e juntamos com todas as nossas economias. Quitamos a dívida, mas vendemos o apartamento em seguida e compramos nossa casa à vista, onde moro até hoje.”

O professor de finanças aconselha o consumidor, em primeiro lugar, a fazer um planejamento adequado e estudado minuciosamente antes de fazer um financiamento. Outro ponto importante destacado por ele é o valor da prestação não ser superior a 30% da renda da família. Além disso, estar preparado para eventuais contratempos é essencial.

Ele aconselha que se faça uma poupança com pelo menos o equivalente ao orçamento mensal de seis meses. Assim, caso perca o emprego ou tenha imprevisto, a pessoa estará assegurada enquanto se estabiliza novamente. “As pessoas têm a ideia enganosa de que ao fazer uma dívida precisam empregar tudo o que têm guardado para abater parte do valor. Porém, o valor das demais parcelas não vai diminuir e, se acontece um imprevisto, ele não vai ter como pagar as parcelas porque não tem mais nada guardado”, conclui.

Como funciona

O Sistema Financeiro de Habitação (SFH) é um programa de financiamento habitacional do governo para facilitar a construção, aquisição ou reforma de imóveis residenciais no Brasil. Criado em 1964 através da Lei 4.380/64, a iniciativa tem como grande objetivo reduzir o deficit habitacional do país, oferecendo crédito de longo prazo com juros baixos. O governo federal pode intervir em qualquer um dos aspectos do financiamento. Nesse sistema, estão incluídas as operações contratadas com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e do FGTS, inclusive o Programa Minha Casa, Minha Vida. 

Custo total

Para escolher um financiamento, considere o melhor Custo Efetivo Total (CET), que os bancos são obrigados a informar. O CET refletirá o custo total do financiamento, já levando em conta todas as taxas envolvidas, além dos juros. Isso torna a comparação entre bancos mais fácil.

Edição Site TV Assembleia
Fonte: Correio Brasiliense - Por Renata Nagashima
Imagem: Arte CB
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